‘Programa Mulheres do Rio’ oferece cursos gratuitos e bolsas durante a formação
Apesar de estar conquistando cada vez maior espaço no mercado de trabalho, as mulheres ainda sofrem com profundas desigualdades baseadas em questões de gênero. Como enfrentamento a essa realidade, que afeta ainda mais as mulheres mais pobres e sem formação, a Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Mulher, da Prefeitura do Rio de Janeiro, criou o Programa Mulheres do Rio, em 2021, com o objetivo de proporcionar às mulheres o acesso a empregos, à renda e ao treinamento. Em três anos, o projeto capacitou 16.050 mulheres.
A iniciativa conta com colaborações de instituições privadas em várias regiões da cidade, além de oferecer assistência financeira e suporte psicossocial. O programa oferece cursos gratuitos em diversas áreas, como indústria, comércio, línguas, empreendedorismo e tecnologia, entre outros.
“Percebemos casos de evasão e checamos as causas. Algumas das mulheres faltavam porque não tinham sequer dinheiro para pagar o transporte. Receberam cartão para passagens. Nos casos mais graves, quando a vulnerabilidade social é comprovada, é paga uma ajuda financeira no valor de R$ 400 durante três meses. Nesses casos, é realizada uma pesquisa para saber a necessidade de cada mulher”, acrescenta Ana Claudia Lesçaut, diretora administrativa.
Cada edição oferece cerca de 40 tipos de cursos
Os dados mais recentes mostram que,no primeiro semestre de 2025, foram 2.585 capacitações. Ao todo, são oferecidos cursos nas mais variadas áreas, levando-se em conta a necessidade do mercado, chegando a uma média de 40 tipos de cursos profissionalizantes.
O “Programa Mulheres do Rio” é um dos projetos que foram destacados na categoria Desenvolvimento Social do 7º Prêmio Espírito Público. Chegou à final da premiação, organizada pelo Instituto República.org, que reconhece e valoriza os servidores.
Segundo a assistente social Mariana Xavier, coordenadora técnica do programa e atual secretária interina, o projeto também contempla mulheres trans, promovendo inclusão e oportunidades.
“Durante o nosso mapeamento, constatamos que muitas mulheres trans não têm acesso ao mercado de trabalho, em grande parte por falta de formação profissional”, destaca Mariana.
Parcerias fortalecem capacitação no Programa Mulheres do Rio
Para oferecer cursos de capacitação, o Programa Mulheres do Rio conta com parcerias com instituições como Estácio de Sá, Firjan/Senai, Sebrae e Senac. A iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro inclui projetos como Elas na Indústria, Mulheres na Culinária, Mulheres Bilíngues e Mulheres Trans de Negócios, entre outros.
Todas as etapas do programa têm como foco o empoderamento feminino em áreas tradicionalmente dominadas por homens e a promoção da inclusão social. Por meio de ações afirmativas, o projeto apoia mulheres em situação de vulnerabilidade, como vítimas de violência doméstica, mulheres negras, indígenas, com deficiência, migrantes, idosas e outras. O objetivo é reafirmar o compromisso da Secretaria com a igualdade de gênero e ampliar as oportunidades de desenvolvimento profissional.
Mulheres refugiadas assumem papel de educadoras
Um dos exemplos destacados por Mariana Xavier é o das migrantes. No programa, aulas de idiomas são ministradas por mulheres refugiadas, como sírias, que ensinam inglês, ou venezuelanas, que lecionam espanhol.
“As mulheres refugiadas podem atuar como professoras de línguas. A única exigência é comprovar ter proficiência no idioma ao qual pretende ensinar”, esclarece Mariana Xavier.
Programa na empregabilidade e apoio contínuo mesmo após formação
Parte do público atendido pelo Programa Mulheres do Rio é formado por mulheres vítimas de violência que precisam de recolocação no mercado de trabalho. Muitas delas interromperam a trajetória profissional e educacional para cuidar dos filhos. A maioria tem entre 35 e 40 anos e busca capacitação para retomar a vida profissional.
Segundo Mariana Xavier, coordenadora técnica e secretária interina, o programa realiza um acompanhamento próximo das participantes. “Mantemos uma equipe para monitorar o progresso durante a formação. Se uma mulher faltar por dois dias, iniciamos uma busca ativa para entender os motivos. Após a conclusão do curso, continuamos o suporte por meio do programa Emprega Elas”, explica.
Para facilitar a inserção no mercado de trabalho, o programa conta com um termo de adesão que permite às empresas parceiras acessarem o cadastro de mulheres capacitadas. Mariana destaca que, em alguns casos, a oferta de vagas supera a quantidade de profissionais qualificados disponíveis, o que demonstra o potencial do programa para ampliar oportunidades e transformar realidades.

