Intersetorial

Leandro Lira

Brasília (DF)
Vencedor no eixo Intersetorial

Trajetória

Filho caçula de uma família de seis filhos, Leandro Lira foi incentivado desde cedo a investir em educação. Natural de Campina Grande (PB), encarou o desafio de cursar duas faculdades ao mesmo tempo, ainda que para isso tivesse que concluí-las em um ritmo mais lento. Admirado com a possibilidade de defender as pessoas, o primeiro curso que escolheu foi o de Direito, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). De acordo com ele, a decisão se deu “muito mais pela causa do que pelo aspecto financeiro”. Já o interesse pelo segundo curso, em Ciência da Computação na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), surgiu depois de acompanhar duas irmãs se qualificarem na área e perceber as suas infinitas possibilidades. Apesar de, à primeira vista, os dois campos parecerem distantes, Leandro buscou relacioná-los em quase todos os projetos que fez durante a graduação.

O maior deles, o seu trabalho de conclusão de curso, transformou-se em uma grande revolução para o judiciário brasileiro. Em 2004, com apenas 23 anos, apresentou o projeto que não só garantiu o seu diploma, como viria a se tornar o primeiro software do Brasil a implementar o processo virtual em larga escala, também conhecido como Processo Judicial Digital (Projudi). Em 2006, Leandro cedeu os direitos do trabalho desenvolvido ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que o convidou para orientar a execução como assessor da instituição. E foi assim que começou sua trajetória no serviço público, onde está há 17 anos, agora como analista de Tecnologia da Informação concursado na Anatel.

Graças ao sistema Projudi, o trâmite dos processos judiciais passaram a acontecer por meios eletrônicos, o que permitiu expandir a informatização dos cartórios e tribunais de Justiça do país e inspirou diversos órgãos a seguirem o mesmo caminho. Com a modernização e a diminuição dos volumes de papel, o sistema trouxe mais agilidade, eficiência e sustentabilidade ao meio jurídico. Mesmo após anos da implementação, a iniciativa segue trazendo benefícios e se atualizando diante das novas tecnologias. Se hoje ferramentas que fazem uso de Inteligência Artificial são utilizadas para dar vazão ao grande número de processos no país, ou o Judiciário não precisou parar suas atividades durante a pandemia de Covid-19, projetos como o Projudi tiveram grande influência nisso.

“Foi bem desafiador, porque era não só a questão do desenvolvimento computacional, mas quebrar barreiras culturais”, conta Leandro. “Primeiro, porque tinha a resistência do próprio meio jurídico, que é muito tradicional, e nós não éramos funcionários de um Tribunal de Justiça, éramos estudantes. Precisamos romper barreiras, apresentar algo muito e convencer as pessoas disso. Construímos o Projudi de forma bem heroica.”

Por promover inovações de impacto e levar modernização em larga escala ao Judiciário brasileiro, Leandro Lira é vencedor no eixo Intersetorial do Prêmio Espírito Público 2022.

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