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Tecnologia avançada em perícias criminais tem dado celeridade às investigações policiais no Mato Grosso

Tecnologia avançada em perícias criminais tem dado celeridade às investigações policiais no Mato Grosso

Software usado consegue calcular a altura estimada de um indivíduo na cena do crime

Uma nova abordagem na análise forense está gerando resultados benéficos nas investigações criminais em Mato Grosso (MT). O projeto denominado “Estimativa de Altura Foto Adaptada”, criado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), tem contribuído para esclarecer crimes utilizando tecnologia avançada, o software SketchUp. Essa ferramenta consegue calcular a altura de indivíduos a partir de fotos ou vídeos, mesmo na ausência de informações adequadas nas imagens.

Para fazer a estimativa de altura em perícias criminais, a técnica substitui o indivíduo padrão por elementos construtivos do ambiente, como, por exemplo, altura de portas e janelas e outros elementos da cena do crime. A partir dessas informações e das imagens da ação do suspeito, os peritos podem estimar a altura do indivíduo que aparece nas imagens. O resultado pode excluir pessoas apontadas como autoras do crime, além de ajudar na identificação.

 

Metodologia proporciona economia ao evitar deslocamentos de equipes

Segundo a perita oficial criminal Andrea Abílio Diniz, a redução de gastos gira em torno de R$ 2.400, custo médio do deslocamento da equipe da capital para o interior. Com 22 anos de serviço público, Andrea é engenheira civil lotada na Gerência de Perícias de Áudio e Vídeo da Politec. Com duas especializações, a perita elaborou todo o planejamento do projeto, que usa o software SketchUp.

“Todas as perícias realizadas no estado são realizadas por equipes da sede da Politec, em Cuiabá. Sem essa tecnologia, uma equipe completa precisava ir para as cidades do interior. Agora, um perito regional vai à cidade onde ocorreu o crime para coletar imagens e, se não for possível a identificação do suspeito, ele fará todas as medições necessárias no local. O perito elabora um laudo com todas as informações e envia para a equipe da capital”, explica Andrea Abilio Diniz.

“Estimativa de Altura Foto Adaptada” é um dos projetos destacados na categoria Segurança Pública do 7º Prêmio Espírito Público. Chegou à final da premiação, organizada pelo Instituto República.org, que reconhece e valoriza os servidores.

Implementada em novembro de 2023, a nova ferramenta foi usada em dez casos. Um deles, citado por Andrea Abílio de Diniz, é o caso de roubo ocorrido em fevereiro de 2021 em um consultório, em Cuiabá. Na véspera do assalto, um cliente foi ao local fazer um pagamento. As imagens dele foram captadas pelo Circuito Fechado de Televisão (CFTV) do local.

 

Perícia inocenta homem apontado como autor de crime em Cuiabá

“Com as imagens do dia do roubo, não foi possível identificar o autor. Dez denúncias apontavam o cliente como quem fez o assalto. Ele, por sua vez, alegou que estava trabalhando. Foi à delegacia e colaborou com as investigações, fez a medição na  régua de altura usada em delegacias para fotos de identificação policial. Com o uso do Sketchup, os peritos constataram uma diferença de dez centímetros entre os dois homens”, relata a perita.

O cliente apontado como o criminoso foi inocentado. Enquanto isso, o namorado de uma secretária foi flagrado usando um dos celulares roubados. O homem foi preso e a namorada responde como cúmplice do assalto. Segundo Andrea, a mulher influenciou as testemunhas para que elas apontassem o cliente como assaltante.

O programa SketchUp também tem ajudado a resolver crimes mais rapidamente. Ao trocar o modelo antigo por uma metodologia que usa partes da construção como referência, diminui o tempo necessário para as investigações em 75%. O número de casos analisados caiu de 20 para 10, o que fez com que a elaboração de relatórios periciais fosse mais rápida. Essa abordagem evita que os peritos tenham que se deslocar, o que permite que os profissionais nas regiões trabalhem com mais autonomia.

A perita criminal explica que a metodologia é baseada em diversas publicações e artigos, destacando em Carvalho Filho (2022) fontes de Criminisi (1998) e Ho (2015), para os exames que envolvam fotogrametria forense, que é a ciência de se obter medidas a partir de registros fotográficos ou imagens.

A utilização do novo método teve início com a capacitação formal por meio do curso de pós-graduação “Perícias em Imagens e Documentos Digitais”, que ampliou o conhecimento dos peritos e fortaleceu a expertise institucional.

 

Implantação do sistema tem baixo custo

Segundo Andrea Abilio Diniz, o modelo é replicável. A expansão do projeto demandaria investimentos relativamente moderados, focados na capacitação de profissionais e aquisição de equipamentos específicos, como software SketchUp e ferramentas de medição, como trenas. Esses custos iniciais seriam compensados pelo alto impacto gerado: padronização nacional dos procedimentos, aumento da eficiência nas análises periciais e melhoria da qualidade técnica dos laudos.

O retorno sobre o investimento, na avaliação da perita criminal, se manifesta na agilidade das investigações, maior confiabilidade nas provas audiovisuais e racionalização de recursos, tornando o sistema pericial mais integrado, eficaz e sustentável em escala nacional.