Iniciativa abrange 110 escolas da região do Sertão do Moxotó Ipanema

Promover e facilitar o acesso à ciência são alguns dos propósitos do projeto Circuito Regional de Popularização da Ciência no Sertão do Moxotó Ipanema, que integra a sub-região do sertão nordestino em Pernambuco. O programa tem como meta esclarecer a ciência e relacioná-la com o cotidiano local, motivando estudantes, pesquisadores e a comunidade a se envolver em projetos, experimentos e inovações, aprimorando a cultura de pesquisa e a educação científica.
O programa atua em microrregiões de Pernambuco, como Arcoverde, Custódia e Sertânia, combatendo a evasão escolar, que chegou à redução de 18%, e o êxodo de jovens por meio de iniciativas que incluem feiras científicas e culturais. Nos eventos, são realizadas exposições interativas com recursos de realidade aumentada e manifestações artísticas, como cordel e samba de coco, com o objetivo de tornar a ciência mais acessível.
Durante os três anos de execução do projeto, 15 startups inovadoras foram criadas, e 30 patentes e tecnologias sociais foram registradas. Como destaque, o projeto tem possibilitado a integração de conhecimentos tradicionais, provenientes de comunidades quilombolas e indígenas, com inovações modernas, o que ajuda a fortalecer a identidade local e a resiliência em relação às mudanças climáticas.
O projeto “Circuito Regional de Popularização da Ciência no Sertão do Moxotó Ipanema” é um dos programas que se destacaram na categoria Educação do 7º Prêmio Espírito Público, chegando às etapas finais. A premiação, organizada pelo Instituto República.org, tem o objetivo de reconhecer iniciativas que contribuem para transformar o país e valorizar os servidores públicos.
A Ciência como ferramenta para diminuir as desigualdades
O Circuito de Ciência tem colaborações da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Sebrae e do governo do estado, o que assegura a ampliação do projeto. Um dos objetivos alcançados foi o impacto gerado ao demonstrar que a ciência adaptada às realidades regionais pode ser uma ferramenta eficaz na diminuição das desigualdades. Entre os efeitos, destaca-se a contribuição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, além da promoção do sertão como um centro de inovação inclusiva.
“O projeto começou a ser pensado em 2017, com a realização de mostras científicas em uma escola estadual de Arcoverde. A imagem que as pessoas tinham de uma feira de ciências em escolas era de desorganização, o que levava à falta de interesse”, explica Daniel dos Santos Rocha, professor da escola técnica e gestor do projeto.
O Circuito foi oficialmente implantado em 2023, quando a diretora da Escola Técnica Estadual Professor Francisco Jonas Feitosa Costa, Luvia Bezerra da Silva, foi promovida e assumiu a Gerência Regional de Educação (GRE) Sertão do Moxotó Ipanema. A microrregião abrange 16 municípios,que têm 35 mil alunos em 110 escolas, sendo que 54 delas são indígenas. Algumas dessas unidades funcionam em casas de família.
Saberes tradicionais fazem parte do método pedagógico
Do total de escolas da região, 45 aderiram ao programa. Hoje, 40 se mantêm no projeto até hoje, e o impacto positivo aparece em diferentes áreas. Além da redução de 18% da evasão escolar e da geração de 15 startups, há a criação de 500 empregos. Na Cultura, incentivou a valorização de saberes tradicionais (documentários quilombolas, samba de coco científico) como ferramentas pedagógicas e turísticas.
Em outra área, a do Meio Ambiente, houve a adoção de tecnologias sustentáveis (canteiros ecológicos, irrigação inteligente) em 50 comunidades, combatendo a desertificação. E, por último, o impacto social, com a redução do êxodo juvenil, consequência direta da oferta de mais oportunidades locais e a utilização da educação STEAM, sigla em inglês que integra Science (Ciências), Technology (Tecnologia), Engineering (Engenharia), Arts (Artes) e Math (Matemática). A metodologia é uma abordagem pedagógica que se diferencia do ensino tradicional por meio da aplicação de conhecimentos de forma interdisciplinar e prática, por meio de projetos.
A gestão é realizada por comitês colaborativos, formados por líderes comunitários, professores e parceiros, que avaliam trimestralmente o desempenho via dashboard, uma interface visual que coleta e exibe os dados. São apresentadas métricas como redução da evasão, startups criadas e adesão comunitária.
Na análise, são priorizados critérios como envolvimento comunitário, habilidades técnicas e alinhamento com objetivos locais, identificados em entrevistas e grupos focais. A capacitação dos estudantes ocorre por meio de oficinas mensais e mentorias contínuas, com parceiros como UFPE e Sebrae. Para a avaliação de competências são usados indicadores como qualidade de protótipos, impacto social e sustentabilidade econômica.

