A partir de 2018, a Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia (SGP) iniciou um debate interno impulsionado pelas recomendações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formalizadas no documento Recomendação do Conselho sobre Liderança e Competência na Função Pública, que orientava os países membros a:


A partir de 2018, a Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia (SGP) iniciou um debate interno impulsionado pelas recomendações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formalizadas no documento Recomendação do Conselho sobre Liderança e Competência na Função Pública, que orientava os países membros a:
Somava-se a esse cenário a necessidade de revisão da Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (PNDP), que, à época, ainda não dispunha de diretrizes atualizadas sobre sucessão e gestão de lideranças. Embora a PNDP definisse parâmetros gerais para capacitação de servidores(as), faltavam instrumentos específicos voltados à formação de futuros(as) gestores(as) e à identificação de talentos com potencial de liderança.
A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) já promovia cursos e trilhas de desenvolvimento voltados para dirigentes públicos, reconhecidos pela qualidade e impacto, porém direcionados a pessoas que ocupavam cargos ou funções consideradas como “Alta Administração”. Faltava, portanto, um caminho estruturado para preparar servidores(as) em níveis intermediários, que pudessem suceder essas lideranças no futuro.
Essa lacuna limitava a renovação e o fortalecimento da alta gestão pública, dificultando a formação de um pipeline de lideranças preparado para assumir responsabilidades estratégicas de forma planejada e contínua.

Esse foi o ponto de partida para a construção do LideraGOV, programa que buscou transformar um problema urgente em uma oportunidade de inovação na gestão pública.
Aprendizado: Adaptação emergencial ao formato virtual e ampliação do alcance nacional do programa.
Espírito Público: Institucionalizar um espaço permanente de troca e aprendizado entre gestores(as) públicos(as)
Desafios: A transição de gestão no governo federal, em 2023, coincidiu com a execução do Programa LideraGOV, que já contava com edital divulgado e inscrições em andamento.
Espírito Público: Políticas de diversidade aumentam a legitimidade e a qualidade da liderança.

Solução construída para desenvolver e conectar lideranças públicas
alunos(as) selecionados(as),
sendo 87 autodeclarados
pardos e pretos (36%)
alunos(as) egressos(as)
alunos(as) egressos(as)
cargos
Cerca de
candidaturas recebidas ao longo das quatro primeiras edições
Crescimento exponencial da procura:
candidaturas somente na 2ª edição
Média de idade:
Criação da Rede
Taxa de evasão
baixíssima:
Média de avaliação de
pelos(as) participantes
uso da matriz de liderança da Enap, com foco em três dimensões: estratégia, resultados e pessoas, alinhando teoria e prática em situações reais.
metodologias que incluem estudos de caso, projetos práticos e mentorias, superando o modelo de cursos expositivos.
a criação de uma rede formal, com portaria própria, garante continuidade, fortalecimento de vínculos e acompanhamento das trajetórias de liderança.
A adoção do formato virtual, a partir de 2020, permitiu ampliar significativamente o acesso ao programa, alcançando servidores(as) de todas as regiões do país e eliminando barreiras logísticas e orçamentárias para a participação. O modelo remoto consolidou-se como uma inovação pedagógica permanente, incorporando metodologias digitais de aprendizagem ativa e garantindo equidade territorial no acesso à formação de lideranças públicas.
cotas para mulheres, pessoas negras e pessoas com deficiência, além de edição exclusiva para pessoas negras em 2023, conectando diversidade à qualidade da gestão pública.
articulação entre MGI, Enap, Ministério da Igualdade Racial (MIR) e organizações da sociedade civil (como República.org, Fundação Lemann e CLP), ampliando legitimidade e capacidade de inovação
Com base em competências e critérios técnicos definidos pela Enap e pela Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal (SGP/MGI), a estrutura foi inspirada em experiências anteriores de programas de liderança pública e adaptada ao contexto federal.
mecanismos de monitoramento e avaliação que dão legitimidade e permitem ajustes contínuos.

O LideraGOV nasce de um diagnóstico elaborado no então Ministério da Economia (SGP/ME) que indicava que aproximadamente 33% dos ocupantes de cargos de direção e funções comissionadas poderiam se aposentar em até cinco anos. Esse dado evidenciou o risco de descontinuidade administrativa e orientou a necessidade de uma resposta estruturada para o desenvolvimento de novas lideranças. Como referências para o desenho do programa, foram considerados benchmarks nacionais, com destaque para o Líderes Cariocas (Fundação João Goulart/RJ), e recomendações internacionais, como as da OCDE sobre desenvolvimento de lideranças e sucessão no setor público. Esses insumos foram utilizados para embasar a proposta de formação e estruturação do programa, alinhando-se às necessidades identificadas no diagnóstico inicial.
O desenvolvimento do programa seguiu uma lógica de testagem prévia e expansão planejada, começando com um projeto-piloto entre 2020 e 2021 restrito ao então Ministério da Economia. Essa etapa permitiu testar e aperfeiçoar metodologias, instrumentos de seleção e mecanismos de acompanhamento antes da ampliação. Com base nos resultados positivos, incluindo altas taxas de conclusão e avaliações favoráveis dos(as) participantes, o modelo foi expandido em 2022 para mais de 35 órgãos da administração pública federal, sob coordenação da SGP/ME e da Enap. Essa abordagem incremental garantiu coerência metodológica, validação institucional e sustentabilidade da política de desenvolvimento de lideranças. O caráter incremental e experimental do programa garantiu que o modelo fosse ampliado apenas após comprovação de sua efetividade, com base em evidências de desempenho e feedback dos(as) participantes.
A transição para o formato online, implementada em 2020, foi decisiva para ampliar o alcance do programa e assegurar sua continuidade durante a pandemia. Essa mudança permitiu alcançar servidores(as) de todas as regiões do país, incluindo áreas historicamente menos representadas em formações federais. Paralelamente, o programa incorporou ações afirmativas estruturantes, como critérios de diversidade em gênero, raça e deficiência nos editais, o que resultou em maior representatividade e legitimidade social. Essa combinação entre digitalização e inclusão territorial consolidou o LideraGOV como uma referência em formação de lideranças públicas em larga escala e com equidade.


O programa alcançou estabilidade institucional graças à sua formalização por meio de portarias e editais e à integração ao PNDP. Essas medidas contribuíram para a manutenção do LideraGOV como política pública. A apresentação durante a mudança de governo em 2023, dos resultados do projeto e do problema público que endereçava, reforçou o caráter de continuidade e confiança das lideranças políticas no projeto como solução de Estado. A forte cooperação entre o MGI e a Enap assegurou solidez técnica, legitimidade e capacidade operacional, elementos que foram fundamentais para a consolidação e expansão sustentável do programa.
O forte engajamento dos servidores(as) no LideraGOV foi consequência direta da solução de uma demanda concreta por percursos estruturados de desenvolvimento para novas lideranças. Ao oferecer uma resposta consistente a essa lacuna e promover uma experiência de alta qualidade valorizada pelos(as) participantes desde as primeiras turmas. O resultado foi uma taxa de 98% de conclusão e índice médio de satisfação de 9,4, que refletem tanto a relevância do programa quanto o sentimento de reconhecimento e pertencimento dos servidores(as). Esse engajamento sustentado contribuiu para consolidar uma comunidade ativa de lideranças públicas.
Um dos fatores centrais para o sucesso do LideraGOV foi a parceria com a Enap. A Enap, com ampla experiência em formação de lideranças e inovação no setor público, assegurou que o programa unisse conhecimento técnico, capacidade de implementação e legitimidade institucional, fatores decisivos para sua consolidação como política pública de desenvolvimento de lideranças.
A experiência do LideraGOV demonstra que políticas públicas de desenvolvimento de lideranças exigem planejamento estratégico, articulação e aprendizagem contínua. Confira um caminho simplificado em 7 passos:

PASSO 1
PASSO 3
PASSO 5
PASSO 2
PASSO 4
PASSO 6
O maior aprendizado do LideraGOV é que programas de liderança se consolidam quando transformam servidores(as) em agentes de mudança – não apenas em gestores(as) capacitados(as), mas em líderes comprometidos com o espírito público e a transformação do Estado brasileiro.