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Ambulatório de Saúde Integrativa da universidade de Ponta Grossa oferece bem-estar integral a pacientes

Ambulatório de Saúde Integrativa da universidade de Ponta Grossa oferece bem-estar integral a pacientes

Serviço é considerado inovador por conectar terapias alternativas a políticas públicas

Em meio ao enfrentamento dos impactos à saúde mental durante a pandemia de Covid-19, foi criado o projeto de criação do Ambulatório de Saúde Integrativa (ASI) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná. O objetivo era amenizar os danos causados pelo isolamento, medo e incertezas. O atendimento no ambulatório combina tratamentos convencionais com terapias complementares, como acupuntura, meditação, yoga e fitoterapia, que são algumas das práticas.

O serviço tem o objetivo de oferecer bem-estar integral aos pacientes e é considerado inovador ao unir práticas integrativas a políticas públicas. Lançado em 2021, já atendeu mais de 15 mil pessoas. Segundo a farmacêutica integrativa Milene Zanoni da Silva, chefe do ambulatório, durante a pandemia, houve um aumento alarmante dos casos de tentativas de suicídio, automutilação, depressão e ansiedade entre alunos da universidade e familiares.

“Em outubro de 2021, iniciamos o atendimento online, que incluía desde rodas de conversa até terapias com a participação de alunos e estudantes. Muitos deles haviam perdido familiares e amigos para a doença e estavam sofrendo. Fizemos parcerias com várias instituições, entre elas, a associação Centro de Valorização da Vida (CVV). Esse trabalho culminou na instalação do ambulatório, que funciona dentro do hospital universitário”, explica a chefe do ambulatório.

A “Criação e Implementação de um Ambulatório de Saúde Integrativa a partir de tecnologias sociais de cuidado em saúde mental” é um dos projetos destacados na categoria Saúde do 7º Prêmio Espírito Público. Chegou à final da premiação, organizada pelo Instituto República.org, que reconhece e valoriza os servidores.

 

Ambulatório oferece atendimento gratuito pelo SUS

Desde a sua criação, o Ambulatório de Saúde Integrativa (ASI) acumulou grande demanda. Em seu primeiro ano de funcionamento, a fila por atendimentos em auriculoterapia, técnica que estimula pontos específicos da orelha para tratar e diagnosticar questões físicas, mentais e emocionais, chegou a 200 pessoas.

Institucionalizado em 2023, o ambulatório passou a atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo serviços em psicologia, terapias integrativas, educação em saúde e rodas de terapia comunitária. O atendimento é baseado em cinco pilares: saúde mental, física, espiritual, social e planetária.

“A Saúde Integrativa é uma política pública que precisa estar à disposição da população. Essa abordagem tem mostrado eficácia em casos de dores crônicas, fibromialgia, depressão e ansiedade. São tratamentos normalmente caros e inacessíveis para a maioria das pessoas. Por isso, é fundamental que estejam presentes no sistema público de saúde”, explica Milene Zanoni da Silva, professora de Saúde Coletiva da UEPG.

O ambulatório atua de forma intersetorial, envolvendo saúde, educação, meio ambiente, política e assistência social. De acordo com a coordenação do ASI, as práticas integrativas impactam positivamente a formação acadêmica, a humanização do atendimento, o cuidado ambiental e o fortalecimento de políticas públicas.

“Participamos da elaboração de leis por meio de ações de advocacy, conferências e mobilização comunitária. Nosso objetivo é promover mudanças sustentáveis para populações vulnerabilizadas e construir uma sociedade mais inclusiva, diversa e solidária, que reconheça a saúde como um direito integral e coletivo”, afirma Milene.

 

Atendimento para públicos diversos e vulneráveis

O ambulatório é aberto a diferentes grupos sociais, com foco em populações em situação de vulnerabilidade, como quilombolas, indígenas, comunidades rurais, LGBTQIAPN+, mulheres vítimas de violência, moradores de ocupações, jovens, neurodivergentes, Pessoas com Deficiência (PCDs), imigrantes, refugiados e profissionais das áreas da saúde e educação.

O serviço promove acolhimento, autocuidado e pertencimento, fortalecendo redes de apoio e de cidadania. Todos os atendimentos são acompanhados por avaliação sistemática, com uso de formulários validados, registros, indicadores de saúde mental e canais de ouvidoria. Os dados mostram resultados positivos, como mudanças no estilo de vida, fortalecimento do acolhimento, promoção da saúde e redução do uso de medicamentos.