O Prêmio Espírito Público está na 7ª edição. Antes do anúncio dos semifinalistas, abrimos os bastidores para explicar como funciona uma das etapas mais decisivas: a avaliação dos projetos.
Avaliadores x jurados: qual a diferença?
Os avaliadores são especialistas que analisam cada projeto inscrito a partir de critérios claros: impacto social, metodologia, escalabilidade, integridade e diversidade. Cada iniciativa é avaliada por duas pessoas diferentes e a nota final resulta da soma das análises. O papel deles é técnico: garantir rigor e justiça na avaliação, sem decidir quem avança.
Já os jurados entram na etapa seguinte. Em cada categoria, três profissionais de destaque analisam os semifinalistas, a partir do material enviado e do pitch das equipes. São eles que definem os dois finalistas de cada categoria e, depois, o vencedor.
Tanto avaliadores quanto jurados seguem regras rígidas de conflito de interesse, que impedem a análise de projetos ligados a pessoas próximas ou à mesma instituição.
Em resumo: avaliadores atribuem notas técnicas na etapa inicial, jurados deliberam entre os semifinalistas e escolhem os finalistas e vencedores.
O olhar de quem avalia
Na edição de 2025, três avaliadores compartilharam suas visões sobre o processo. Dois deles já viveram o outro lado: foram vencedores do PEP em edições anteriores e agora emprestam sua experiência para ajudar a reconhecer novas práticas transformadoras.
Para o analista de tecnologia da Anatel Leandro Lira, vencedor do PEP em 2022 no eixo Intersetorial, avaliar projetos de segurança pública é também revisitar sua própria experiência.
“Projetos que nascem sem estrutura de respaldo mostram ainda mais resiliência e criatividade dos servidores. Esse espírito público fica muito evidente na avaliação”, diz.
Ele destaca que, em uma área tão sensível quanto a segurança pública, o que se busca é o equilíbrio. “Iniciativas que conseguem diminuir a criminalidade por meio de ações preventivas e humanizadas, em vez de apenas repressivas, sinalizam o caminho desejável hoje.”
Leandro deixa um conselho a quem pensa em se inscrever: “não subestimem suas próprias histórias. Inscrever-se é também consolidar a memória do projeto e motivar sua continuidade”.
Documentação é memória e consistência
A gestora de pesquisa do IBGE Rosinadja Morato, vencedora do PEP em 2020 na categoria Gestão de Pessoas, ressalta que toda boa prática precisa ser registrada.
“Às vezes seguimos em frente sem nenhum tipo de documentação. Mas são os registros — indicadores, depoimentos, fotografias — que garantem consistência e perenidade a uma iniciativa”, defende.
Para ela, projetos transformadores não se resumem a eficiência. “Eles mudam comportamentos, mudam a forma de pensar e melhoram a qualidade de vida das pessoas.”
Rosinadja também aconselha futuros candidatos a olharem para as edições passadas e organizarem bem as evidências. “Não adianta lotar o portfólio de fotos de eventos comemorativos. O que importa são documentos, testemunhos, métricas e indicadores. É isso que dá força à candidatura.”
Clareza faz diferença
Na categoria Saúde, a educadora e pesquisadora Taís Tesser lembra que clareza é o primeiro passo para valorizar um projeto. “Saber de onde o projeto surgiu ajuda a entender sua importância”, afirma. “As ações revelam quem está envolvido e como tudo foi estruturado. E os resultados mostram impacto, aprendizados e próximos passos”, afirma.
Segundo ela, o maior desafio costuma ser a escalabilidade. “Projetos já escalados trazem informações concretas. Os que ainda não chegaram a esse estágio muitas vezes não refletem nem, ao menos no campo das ideias, sobre essa possibilidade.”
Taís faz um alerta: mesmo boas iniciativas podem perder força se a inscrição não for equilibrada. “Às vezes há muita informação em um critério, mas quase nada em outro. Não é preciso encher de detalhes, e sim apresentar informações objetivas e relevantes sobre o que é o projeto e como foi desenvolvido.”
Transparência e inspiração
Com experiências distintas, os avaliadores desta 7ª edição reforçam um ponto em comum: o PEP é um espaço de reconhecimento e memória, que ajuda a dar visibilidade a práticas capazes de transformar vidas por meio do serviço público.
Ao abrir os bastidores desse processo, o prêmio não busca apenas transparência. Busca também inspirar cada vez mais servidores a inscrever seus projetos e fortalecer essa rede de transformação.