Segurança
Pública

Carlos Augusto Chamoun do Carmo

Vila Velha, Espírito Santo

Trajetória

Carlos Augusto Chamoun do Carmo sabe desde pequeno a importância de correr atrás do que acredita. Antes mesmo de completar 18 anos, saiu do Espirito Santo, onde morava com a mãe, a procura de um condição de vida melhor no Rio de Janeiro, lugar que teria mais oportunidades financeiras e de estudo para o capixaba. Na capital fluminense, entrou para a Universidade do Estado do Rio (UERJ) e se formou biólogo; em seguida, trabalhou em alguns laboratórios particulares e se tornou professor — tanto da rede particular quanto como substituto em escolas públicas. O ingresso para o serviço público aconteceu anos mais tarde, em 2007, quando entrou para a Polícia Civil e se tornou perito criminal no Espírito Santo, seu estado natal.

Hoje, com mais de uma década como profissional público, Carlos afirma categoricamente que não trabalharia com outra coisa que não fosse a perícia. Devido a seus esforços e pesquisa, o professor conseguiu aliar suas duas paixões: a biologia e a busca por respostas. O perito é autor da tese que usa entomologia forense, ciência que estuda a biologia de insetos e outros artrópodes em processos criminais, para investigar casos de estupro seguido de morte. Com o uso do DNA extraído das moscas encontradas no local, Carlos mostrou ser capaz de encontrar os culpados e dar uma conclusão às famílias da vítima. É uma forma de usar a ciência a favor da justiça, como o profissional explica.

Inovadora, a tese de doutorado do perito foi eleita a melhor do país pela Sociedade Brasileira de Ciência Forense (SBCF). O método passou a ser aplicado nas investigações da Polícia Civil do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Tal pesquisa foi resultado do empenho de Carlos para ressaltar a importância de provas materiais na busca de justiça. Para isso, o profissional comprou equipamentos e materiais para o laboratório, além de fazer cursos especializantes. Os custos eram arcados pelo próprio perito, que chegou a vender um carro e uma moto para poder realizar seus estudos de doutorado.

Quando entrou para o serviço público, encontrou um cenário confuso dentro do departamento de Criminalística. Os laudos técnicos estavam atrasados devido uma rotina mal planejada para os peritos. O trabalho dos profissionais também era prejudicado pela falta de capacitação dos policiais para preservar as cenas dos crimes. Com a sua experiência de professor, Carlos viu que era necessário agir e passou a ensinar aos outros profissionais como poderiam tornar seus trabalhos mais efetivos.

O profissional começou a dar aulas na Academia de Polícia do estado do Espírito Santo, ensinando peritos e delegados a ter mais potência e eficiência nas investigações criminais, incentivando o desenvolvimento científico na área. Também atua na formação de policiais militares, ensinando-os sobre a preservação da cena dos crimes, contribuindo para que o trabalho da perícia criminal seja mais efetivo nas investigações. O contato serve ainda para estreitar os laços entre os dois órgãos de segurança.

Atualmente, Carlos trabalha na construção de uma sede para a perícia criminal da Polícia Civil no Espírito Santo, na capital do estado. O perito participa da elaboração da planta do espaço, que terá mais de 150 m² e deve ser inaugurado em 2022. Além disso, o profissional sonha em montar um laboratório especializado em Biologia Forense e, para isso, vem articulando parcerias desde 2011. Com uma trajetória cheia de conquistas, o capixaba se orgulha de ter chegado até onde está e quer ir além. “A luta tem sido árdua, mas as vitórias têm chegado e compensam tudo isso.”

Carla Guaitanele – Finalista

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