Meio Ambiente

Jair Candor

Alta Floresta, Mato Grosso

Trajetória

A voz é de quem leva a vida com calma, paciência e muita determinação. E não é para menos. Jair Candor têm três décadas dedicadas ao serviço público. Aos 59 anos, seu Jair, como é conhecido, trabalha em defesa dos povos indígenas isolados e da Floresta Amazônica. O indigenista atua numa região conhecida como Arco do Desmatamento, que fica no noroeste do Mato Grosso. O local é marcado por diversos conflitos e também pela insegurança, mas apesar das dificuldades, o Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena, da Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, acredita que seu trabalho é fundamental para manter viva a cultura indígena.

Jair foi seringueiro antes de ingressar no serviço público, ele cresceu em um ambiente onde todo mundo falava que índio era animal. Os povos indígenas eram considerados entraves para o desenvolvimento do país. Ao longo dos anos este pensamento retrógrado diminuiu graças ao empenho e dedicação de profissionais públicos como seu Jair.

O trabalho de Jair contribui para a preservação das riquezas culturais e naturais do Brasil. O ex-seringueiro é uma das figuras mais importantes na proteção dos povos da Amazônia. O profissional público leva o trabalho com bastante serenidade e até as ameaças de mortes que recebe são amenizadas. Espirituoso, Jair brinca que para matá-lo é preciso uma senha. “Lá onde eu trabalho todo dia recebo um recado de que tem alguém que diz que vai me matar”.

A trajetória de Jair é marcada por inúmeras histórias. Algumas delas felizes e outras de tristeza. Uma das que mais marcaram sua vida e trabalho foi a morte de um companheiro de equipe. Ele ficou doente durante uma missão de campo na Floresta Amazônica e não resistiu.

Jair participou do processo da mudança de paradigma na relação com os povos indígenas isolados, garantindo a preservação da floresta que fornece os recursos para a sobrevivência desses povos e respeitando o seu direito de permanecer em isolamento.

Incansável, seu Jair é responsável pela proteção de uma região onde vivem os dois últimos índios da etnia Piripkura. Atualmente, ele trabalha para concluir o processo de demarcação da Terra indígena Kawahiva do Rio Pardo, alvo de ações de invasores. Apesar de combater com dureza os criminosos ambientais, procura conscientizá-los para que haja uma mudança de postura.

Mesmo depois de 30 anos, o profissional público não pensa em se aposentar. “Eu sei que uma hora vou ter que parar, mas não vai ser fácil não. Eu ainda tenho muito para contribuir com os (índios) isolados. Eu gosto do trabalho que faço”.

Carla Guaitanele – Finalista

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